ONU premia centro de pesquisa no Brasil
Fonte: www.pnud.org.brCentro Internacional de Pobreza, ligado ao PNUD e ao IPEA, é um dos vencedores de prêmio mundial para trabalhos de voluntariado virtual.
TIAGO MALI
da PrimaPagina
O Centro Internacional de Pobreza, resultado de parceria entre o PNUD e o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), é um dos dez vencedores do Online Volunteers, uma premiação mundial promovida pelo UNV (Programa de Voluntários da ONU). O prêmio, anunciado nesta quarta-feira, Dia Internacional do Voluntário, em Bonn (Alemanha), reconhece os principais grupos de colaboradores virtuais do planeta.
O centro com sede em Brasília foi destacado por criar um banco de dados com 2.800 instituições de várias partes do mundo que fazem pesquisas ligadas à pobreza. Para isso, contou com a ajuda de 23 pessoas em 17 países. O banco de dados deve ser lançado em janeiro, em versão on-line — será possível fazer buscas por país, continente ou palavra-chave. Estarão cadastrados nome, site, contato (por telefone e/ou e-mail) e pessoa responsável por cada uma das instituições. “A base de dados organizada por nós é provavelmente uma das mais completas do mundo”, afirma Francisco Filho, coordenador do projeto.
A ferramenta, diz Francisco Filho, vai privilegiar os centros de pesquisa de países em desenvolvimento. “Há centros muito competentes na África do Sul, na Argentina, na Índia, no Brasil, em Ruanda, em Angola, na Nigéria. Mas têm pouca visibilidade”, assinala, comentando que a finalidade do banco é justamente contornar esse problema.
Com esse mesmo objetivo, a base de dados deve ser lançada em formato impresso, em data ainda não confirmada. O Centro Internacional de Pobreza também pretende fazer acordos específicos de disseminação com outras instituições — “umas dez por continente”, segundo Francisco Filho. A idéia é que o centro do PNUD coloque em seu site publicações desses centros e vice-versa.
Cursos e consultoria jurídica
Outro exemplo, também vencedor do prêmio do UNV, é o Respect (respeito, em inglês), uma universidade virtual que conta com o apoio de 30 colaboradores e fornece cursos por correspondência gratuitos para refugiados e pessoas deslocadas em seus países que tenham concluído o ensino fundamental. Informação também é a contribuição de outro projeto premiado, o da comunidade virtual dos Advogados sem Fronteiras, que dá consultoria pela web a organizações sem fins lucrativos pelo globo.
Além dos voluntários virtuais, a ONU conta com cerca de 7.000 colaboradores em campo no mundo. Trinta estão no Brasil, 13 deles estrangeiros. Uma das estrangeiras é Chiara Lenza, que viajou da Itália até Natal, no Rio Grande do Norte, para divulgar e monitorar o trabalho de 40 grupos do projeto Universidade do Milênio.“Aprendi que não são apenas os resultados que interessam, mas o estímulo aos voluntários. Nossos grupos ajudaram várias comunidades carentes e despertaram a vontade de ajudar em muitos jovens”, afirma.
A Instituição com a qual Chiara trabalha, a Natal Voluntários, promoveu na terça-feira uma premiação própria para comemorar o Dia Internacional dos Voluntários. O prêmio distribuiu acervos bibliográficos para os grupos de trabalho voluntário que obtiveram os melhores resultados no ano. Os premiados indicaram instituições para receber 225 obras de autores como Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Mario Quintana e Lygia Fagundes Teles.
Outras cidades brasileiras também prepararam eventos para celebrar a data. Em Carapicuíba (SP), 100 jovens voluntários do projeto Eu Aprendo, Eu Ensino se reuniram nesta quarta-feira num ato da cidade que reconheceu o esforço dos alunos durante o ano. Os estudantes de 11 escolas desenvolveram programas para ajudar comunidades a erradicar a fome. “Isso estimulou o protagonismo juvenil naqueles que participaram. Eles tiveram de fazer um diagnóstico sobre o que causava o problema e participar de soluções práticas”, explica Roberto Felício, diretor da ONG Conexão, que coordenou os esforços.
Em Belém, as celebrações desta quarta-feira foram marcadas pelo Encontro Internacional do Voluntariado no Pará. Debates, mesas-redondas, oficinas e apresentação de estudos de caso sobre o tema tiveram espaço num evento que propôs reflexão. Nas comemorações também houve espaço para certificação de pessoas, escolas e organizações que participaram de ações de voluntariado na cidade.
Para quem quiser participar como voluntário virtual, o Programa de Voluntários da ONU mantém um site em que instituições e pessoas podem se inscrever. No Online Volunteering Service, os voluntários recebem tarefas e trabalham de casa, pela internet. O trabalho varia de planejamento estratégico a traduções e design de web.

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